ATÉ COM SAM FOI ASSIM
Fri, 16/08/2019

Por Fred Ferreira

 

Pouco antes de me mudar para os Estados Unidos perguntei a um amigo que já morava aqui há anos: “Se pudesse me dar apenas um conselho, qual seria?”. Sem refutar, ele me disse: “Se não quer ser passado para trás, fuja dos brasileiros nos Estados Unidos”. Wow, que tipo de conselho é esse, eu pensei, e pouco depois me mudei para cá.

Acreditem se quiser, mas poucos meses depois de chegar a terra do tio Sam eu já havia amargado alguns milhares de dólares de prejuízo depois de fazer um negócio com um brasileiro, seja pelas estatísticas ou a pura sorte de um palpiteiro, mas meu amigo acertou em cheio. E infelizmente a partir dali, o movimento antibrasileiros havia ganhado mais um ávido adepto.

Eu tinha esse ideal como uma verdade tão absoluta que ao ter o primeiro problema com um americano, cheguei a dizer que ele era o americano mais brasileiro que eu conhecia.

O tempo passou e os problemas, pequenos ou grandes, continuaram a acontecer com brasileiros, americanos, venezuelanos, italianos, colombianos, e com isso comecei a perceber que não importa a nacionalidade, lidar com o ser humano não é fácil, é muito difícil deixar os dois lados totalmente satisfeitos em qualquer situação, e se os problemas existem, proporcionalmente teremos mais problemas com brasileiros, porque vamos acabar nos relacionando mais com a comunidades brasileiras.

É claro que não vou defender aqui a pequena porcentagem daqueles que querem te prejudicar e encanar por profissão, porque existem alguns poucos que são assim. O que quero tratar aqui é que problemas nos negócios sempre vão acontecer, pois faz parte do pacote de empreendedor. Muitas vezes empreender é se decepcionar e ser passado para trás, é viver incertezas, empreender não é para qualquer um, é para aqueles que estão dispostos a arriscar, cair e levantar. Quantos de nós não tentamos empreender na América, mas paramos quando nos deparamos com o prejuízo? Mas a verdade é que mesmo que o seu primeiro negócio tenha morrido, o sonho americano tem que continuar a viver dentro de você.

Uma vez ouvi a história de um americano chamado Sam, que para ajudar um amigo que estava com um inquilino ruim em um de seus imóveis comerciais, comprou e assumiu o negócio, um pequeno mercado na cidade de Newport. Em poucos meses Sam levantou a empresa, que se tornou o melhor mercado da cidade, e conseguiu assim, acertar os aluguéis em atraso com o amigo que se viu livre do problema. Porém, na hora de renovar o contrato, o “amigo”, deslumbrado pelo lucro que o comércio estava gerando, se negou a renovar o contrato e tomou de Sam o seu agora ex-grande negócio em ascensão.

Sam poderia chorar o negócio perdido e dizer, “não faça negócios com amigos”, “não faça negócios para ajudar ninguém”, “não faça negócios com americanos”, ou tantas outras frases feitas para fracos se esconderem atrás, mas o que ele fez é o que você e eu temos que fazer, ele continuou, começou de novo, chamou seu irmão Bud para ajudar a abrir outro mercado, e outro, e outro, e outro.

Então, a partir de agora, ao invés de dizer “não faço negócios com brasileiros”, é melhor dizer “eu não vou desistir até encontrar o parceiro ideal”, pois com certeza existem muito mais parcerias de sucesso entre brasileiros nos Estados Unidos do que casos ruins. Vamos continuar a procurar o parceiro ideal assim como o Sam Walton achou o seu Bud Walton, e quem sabe, assim como eles, você não consiga construir uma grande rede como o Walmart.